A fonte Coralina
Uma poeta trancafiada no sonho de menina
O texto assim se faz:
“Não te deixes destruir…
Ajuntando novas pedras
e construindo novos poemas.
Recria tua vida, sempre, sempre.
Remove pedras e planta roseiras e faz doces. Recomeça.
Faz de tua vida mesquinha
um poema.
E viverás no coração dos jovens
e na memória das gerações que hão de vir.
Esta fonte é para uso de todos os sedentos.
Toma a tua parte.
Vem a estas páginas
e não entraves seu uso
aos que têm sede.”
Na vasta literatura brasileira, alguns nomes brilham intensamente, conquistando corações e mentes com suas palavras poderosas e sua capacidade única de expressar os sentimentos humanos. Entre esses nomes, destaca-se a grande poeta goiana Cora Coralina. Sua vida e obra são um exemplo vivo de resiliência, luta e amor à poesia, deixando um legado que transcende gerações.
Cora Coralina (Cora, de coração) cujo nome de batismo era Ana Lins dos Guimarães Peixoto Bretas, nasceu no ano republicano — 1889 —, na cidade de Goiás. Sua trajetória foi marcada por desafios e dificuldades que poderiam tê-la feito mais uma sem nome, mas ela ergueu fortemente o seu valor. Foi apenas na fase adulta, aos 75 anos, que Cora publicou seu primeiro livro, de título “O Poema dos Becos de Goiás e Estórias Mais”. Esse marco tardio é um testemunho da persistência e paixão de Cora pela escrita, que não se abalaram mesmo diante das adversidades.
Em sua poesia, revela uma profunda conexão com sua terra natal e com o cotidiano simples. Seus versos trazem à tona a beleza escondida nos detalhes do dia a dia, celebrando o amor, a natureza e a ancestralidade. Com uma linguagem acessível e imagens poéticas poderosas, ela convida o leitor a mergulhar em seu universo, em que o simples se torna grandioso, e o ordinário ganha contornos de magia.
Pero! Não se engane, Cora não é uma mera poeta bucólica. Sua poesia é também um instrumento de crítica social. Em seus escritos, ela denuncia as desigualdades e injustiças que permeiam a sociedade brasileira, revela uma consciência aguçada e um olhar atento para os problemas que afligem seu povo.
Partiu deste mundo em 1985, aos 95 anos, e deixou para trás um legado imortal. Sua poesia continua a encantar e inspirar leitores de todas as idades, transcendendo fronteiras geográficas e temporais. Sua obra é um convite para redescobrir a beleza nas pequenas coisas, valorizar nossa identidade cultural e lutar por uma sociedade mais justa.
Assim, celebramos a vida e a obra da poeta Cora Coralina. Ela nos inspira a sermos autênticos, a enxergar a poesia na simplicidade e a lutar por um mundo mais humano. Cora Coralina deixou um legado que nos desafia a repensar o poder das palavras e a maneira como vivemos. Que seu exemplo continue a iluminar o caminho daqueles que buscam a beleza e a justiça em cada verso.
Cora brota verão e verso em cada coração. Core-se.