Latest Posts

Sorry, no posts matched your criteria.

Stay in Touch With Us

Odio dignissim qui blandit praesent luptatum zzril delenit augue duis dolore.

Email
[email protected]

Phone
+32 458 623 874

Addresse
302 2nd St
Brooklyn, NY 11215, USA
40.674386 – 73.984783

Follow us on social

Uma leitura assassinada

A era digital no banco dos réus

 

É sabida a sua importância, desde um jovem brasileiro a um experiente senegalês, passando por europeus e asiáticos, por épocas imemoriais: a leitura é, de fato, primitiva. Mas, foram, e são poucas as pessoas que tornaram o hábito de ler, um estilo de vida. Em 2019, foi-nos apresentado mais um resultado da pesquisa Retratos da Leitura no Brasil, impiedosa como de costume: 48% da nossa população não pode ser considerada leitora.

É um desfalque. Não significa que o Brasil já tenha sido, em algum momento, um lugar de gente que lê e reconhece a boa produção literária do país, no entanto, cada vez mais emerge a percepção de como as redes sociais têm feito o papel de surrupiar possíveis bons hábitos que vez ou outra praticamos, como a leitura.

O assassínio desta prática está vinculado mais à qualidade do que à quantidade, visto que já consumimos textos em todo tempo e lugar, sem pausas e com grande proficiência. Nossos olhos fisgam as palavras e captam seus sentidos superficiais sem hesitação. O brilho da tela que nos move fundamenta a rotina, e assim lemos, escrevemos, fotografamos, enviamos áudios etc. Tudo isso é texto; nos informam da vida do outro e ainda mantém uma notável relação de afetividade conosco.

É fato que no suporte “celular” a leitura seja fácil e rápida, contudo, parece que a realidade muda quando tratamos de ler um livro impresso. Com isso, continuamos a mover nossa energia e tempo para o que nos parece mais importante e ignoramos um amontoado de coisas que poderiam ser de mais lucro – para além de ler –, como escrever, dançar, cozinhar e tantas outras belas artes e práticas, aparentemente mais esquecidas do que nunca.

O “leitor 2.0”, em ascensão na modernidade, presta uma leitura que, segundo Isa Mestre, é mais ágil e dinâmica, em contradição com uma leitura “analógica” (entendida no trabalho da autora como ultrapassada) que é mais silenciosa e contemplativa. A natureza da leitura atual, convergente com a ideia de jogo de videogame – e por isso menos uma leitura real – é, em minha visão, um certo conformismo com a liquidez pós-moderna; é a adequação da leitura, a qual deveria basear aprendizado e relaxamento, a um leitor preguiçoso. Este deve, na proposta da autora, praticamente receber todas as informações de bandeja, sem esforço mental aguçado para o entendimento da mensagem no texto e para o reconhecimento de figuras de linguagens, por exemplo.

Tendo isso em vista, com um apelo especial à leitura peço-te, intimamente — porque percebo como ela age para transformar realidades e olhares —, que se esforce no rumo literário, busque indicações, amigos leitores, livros para chamar de seus… busque um cantinho ameno para seu hábito, uma livraria para passar de vez em quando, e um novo olhar: sobre os livros, sobre a literatura e sobre si mesmo. É um favor. E não para mim.

 

Comentários
Sobre o autor

Lucas é professor de inglês e bibliófilo. Leitor desde os 13 anos. carrega a paixão e o vício por leitura como se fosse desde o berço.

You don't have permission to register