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De simples fazenda à uma renomada potência têxtil: conheça um breve resumo da história de Americana

Os primórdios de Americana possuem registros datados do final do século XVIII, quando a fazenda de Salto Grande cultivava cana-de-açúcar para produção de açúcar e aguardente. Mas sua história verdadeira começa bem distante da cidade e há muito tempo atrás.

Foi por volta de 1865 no final da guerra civil americana que os primeiros imigrantes confederados vieram para o Brasil, com destaque para William Hutchinson Norris, senador do Alabama, que foi o precursor do desenvolvimento das cidades de Americana e Santa Bárbara d’Oeste.

Nesse período, por conta da imigração, deu-se início o desenvolvimento da agricultura, em especial o cultivo de algodão, educação e atividades médicas/odontológicas.

Essas atividades inicialmente eram divididas nas 3 principais fazendas da época: fazenda Salto Grande, Machadinho e Palmeiras, que rapidamente foram povoadas pela alta imigração, principalmente de sulistas no período pós-guerra civil. Na época o governo imperial apoiava a imigração no país pois enxergava os imigrantes como uma oportunidade para alavancar, já que tinham conhecimentos em diversas áreas, principalmente na agricultura.

O já mencionado coronel Norris, foi umas das principais figuras de desenvolvimento das duas cidades da região e em 1867 sua família chega ao Brasil trazendo novas técnicas de cultivo agrícola, como o arado e o trole.

Por volta de 1875 foi construída a estação ferroviária em frente à entrada da fazenda Machadinho, que era de propriedade de Basílio Bueno Rangel, dando início então, ao desenvolvimento da malha ferroviária pela região junto da Cia Paulista.

Foi a partir desse momento que as primeiras moradias temporárias foram criadas, para que os operários da Cia pudessem se estabelecer provisoriamente para realizar a obra. A construção dessa estação permitiria que toda produção pudesse ser enviada ao porto de Santos.

Na mesma época o capitão Inácio Correia Pacheco, que também era proprietário da fazenda, iniciou o loteamento de suas terras e marcou o início do crescimento da vila ao redor da estação.

 

Vila Americana

Naquele tempo, existia apenas Campinas e Santa Bárbara, sendo o Ribeirão Quilombo a divisa entre elas. Então, o lado do rio sentido Campinas pertencia a Campinas e o outro lado pertencia a Santa Bárbara.

Em 1875 foi criada a fábrica de tecelagem Carioba, por Wilian Ralston em associação com os irmãos Antônio e Augusto de Souza Queiroz. Mas foi somente em 1884 que o grande investimento na fábrica veio, através da compra dos irmãos Clement e George Willmot. Nesse período se deu início a construção da vila operária, porém em 1888 os irmãos chegaram à falência com a abolição da escravidão.

Em 1900 a Cia Paulista decide nomear a estação como “Vila Americana”. Até então, o local era conhecido como “Vila da estação de Santa Bárbara”, e como já havia a própria Vila Santa Bárbara, esse nome gerava confusão na distribuição de cartas direcionadas para cada local.

O nome escolhido foi “Vila Americana” porque nessa época ainda moravam muitos confederados americanos por ali.

 

Desenvolvimento

Depois de tudo isso, em 1901, o grande desenvolvimento de Americana se iniciou. Franz Müller, Hermann Teodor e o inglês Rawlinson, arremataram a fábrica Carioba em um leilão. Os alemães ficaram admirados com a beleza do local e decidiram se estabelecer na região para poder administrar a companhia. Eles ampliaram a vila e na mesma época houve grande imigração italiana, o que alavancou o crescimento local.

Em 1907 houve um aumento significativo na demanda de energia na vila, e os Müller decidiram construir a usina hidrelétrica na fazenda de Salto Grande, da qual também eram proprietários. A usina foi suficiente para abastecer a vila toda e ainda mais cidades da proximidade.

Posteriormente, por conta do grande crescimento do local, houve uma disputa territorial entre Campinas e Santa Bárbara que resultou na criação definitiva da Vila Americana, para além daquele espaço da estação.  A lei que determinou a fundação da vila é a lei 916 de 1904, que pode ser acessa através do link: lei 916/1904 – ALESP.

Franz Müller tinha o pensamento que, para os funcionários terem bons desempenhos em sua fábrica, precisariam ter condições de vida adequadas. Assim, a ideia era transformar a vila em uma pequena cidade, com escolas e igrejas. Naquela época a empresa Müller se consagrava uma gigante têxtil, produzindo mais de 7000 metros de tecido.

Um grande obstáculo tomou conta da empresa por volta de 1939, quando o governo de Getúlio Vargas restringiu o empréstimo a imigrantes por conta da segunda guerra mundial.

Como já haviam concorrentes, os Müller foram obrigados a vender a fábrica para o grupo JJ Abdalla em 1944. O grupo não foi capaz de manter a fábrica operante por muito tempo, sobretudo por conta das greves feitas pelos operários, já que os salários não eram bem servidos.

O ano de 1976 foi marcado como o último ano da fábrica na gestão Abdalla. As terras foram divididas em lotes que serviram como indenização aos operários. A casa da fazenda Salto Grande se tornou um museu histórico e a casa do filho do comendador se transformou na Casa de Cultura Hermann Müller, hoje tombada como patrimônio histórico cultural. As antigas casas foram derrubadas por Juca Abdalla e uma das poucas lembranças dessa época que restou é a igreja de São João Batista de Carioba.

Muitas das pessoas que eram operárias da fábrica montaram seu próprio negócio, sendo que algumas levaram os maquinários como forma de indenização da quebra da antiga fábrica. Com o conhecimento técnico e o maquinário, um singelo desenvolvimento têxtil tomou conta novamente da pequena vila e fez com que, em 1941, fosse criado o DISTRAL, uma espécie de cooperativa do setor têxtil. E novamente a região foi desenvolvida e reconhecida como “Princesa Tecelã”.

A história de Americana se mostra muito mais interessante quando é buscada à fundo. Este texto tem como objetivo trazer um breve condensado de informações para que o leitor tenha em mente os principais eventos que marcaram o início da nossa cidade.

A obra “Soldado Descansa! Uma Epopéia Norte Americana Sobre Os Céus Do Brasil”, de Judith Mac Knight Jones, retrata toda história da imigração americana para o Brasil e a vida que levaram aqui. Nele é narrada a história por trás do desenvolvimento das cidades de Americana e Santa Bárbara d’Oeste.

Aqui, a intenção era apontar apenas os principais pontos que deram início ao que hoje, é Americana! Você é americanense? Comente com a gente.

 

*Crédito imagem: Divulgação (origem oficial das imagens não encontrada) 

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Sobre o autor

Formado em engenharia química, analista de laboratório. Também sou responsável pelo desenvolvimentos de pautas do portal Reverbere. Entusiasta de tecnologia e admirador de temas históricos e da atualidade.

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